Em 2010 apareceu uma fenda na Barreira de Gelo Larsen, uma das enormes placas de gelo flutuante que rodeiam à Antártida. Desde então, não parou de se estender. Um recente exame por parte dos cientistas do Projeto MIDAS, na última semana, constatou que só restam 13 quilômetros para a fenda atingir o mar e liberar um grande iceberg com mais de 6.000 quilômetros quadrados e 350 metros de espessura. Só para que se coloque em perspectiva, é um pouco maior que todo o território de Brasília.

A fenda vem se estendendo por anos, mas nos últimos seis meses alcançou um ritmo vertiginoso. Em dezembro de 2016 cresceu 20 quilômetros. Em janeiro outros 10, e na última semana apareceu uma segunda fenda de 17 quilômetros. Os cientistas estimam que sua cisão completa da Barreira de gelo Larsen é irreversível. Não é a primeira vez que acontece a liberação de um iceberg destas proporções. Em 2000 desprendeu-se um fragmento de 11.000 quilômetros quadrados desde a placa de Ross. O evento ficou conhecido como Iceberg B-15. Mais atrás, em 1998, desprendeu-se outro de 6.900 quilômetros quadrados -denominado A-38- na plataforma de Filchner-Ronne.

Os especialistas em glaciares e no comportamento das grandes massas de gelo descartam por completo que este novo megaiceberg provoque subida repentina no nível do mar. Sua preocupação atual é averiguar como o fenômeno afeta a estabilidade de Larsen. Combinada com o retrocesso dos glaciares na região, o rompimento da placa pode ser o começo de uma deterioração importante em toda a região, e isso sim teria consequências.

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